16 de jan. de 2010

parte 1

ela não tinha intenções de encontrar um novo amor. era só sexo.
então, fez como o habitual:
percebendo-se só, pensou bobagens;
excitou seu desejo;
perfumou-se por pragmatismo - pois sempre o é;
vestiu-se bem - daí em diante tudo é pragmático...
destrancou a porta, sem se despedir;
trancou-se do lado de fora;
andou observando os rostos...
tudo a ignorava. cogitou ser mais ousada. e, sendo, foi vista
era uma sensação estranha e deliciosa.
suas costas triangulares tremiam de uma ponta a outra. as extremidades dos dedos, frias não controlavam a constante circulação. a ponta de uma agulha imaginária rasgava-lhe o meio das costas causando dor e arrepio. a culpa latejava cada vez menos... a boca seca sorria, assentindo o olhar reflexo. era só sexo. já era sexo antes de ser.
saber que existiam dezenas de dúzias de centenas de milhares de outros olhos que a olhavam, deixava-na nua... quando estar nua era apenas um desejo de desapegar-se do que é concreto... até que tudo voltasse ao normal.
um olá, um como vai... assim, de maneira suficiente, a conquista estabelecia-se completamente, e como deveria acontecer só sexo, o sexo deveria imediatamente acontecer.

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