27 de nov. de 2007

ignORatis ignorAntIs

Era daquelas pessoas ridículas que aumentam o tom de voz para chamar atenção.

[neste momento o narrador, relativizando a inserção em seu texto do adjetivo referente ao vocábulo "pessoas", lança, através de dois viéses, a sua opinião que perceber-se-á mais adiante, ter um caráter absolutamente antifrástico]

(eu, que não sou o narrador, penso que a palavra "pessoas", caracterizada e registrada como vocábulo, possibilita-nos uma análise tanto morfológica quanto lexical do termo discutido)

[mas ainda não há discussão!]

(claro que há discussão! de autoria, de terminologia e de hierarquia!)

Certo dia, cansado de viver, acoitadado pela vida, entrou em um banheiro público, vestindo uma camiseta preta com estampa de São Jorge, mascando seu chicletinho de menta, jogando pac-man no celular e morreu.

[é esta a proposição. a discussão da materialidade versus espiritualidade e individualidade... das efemeridades e urgências da vida. o narrador seleciona um fato, aparentemente sem importância e chama-nos para que percebamos as ambiguidades do ser]

(tanto a seleção do fato quanto a jurisdição disposta passam pelo crivo do autor, que sou eu. não há ambiguidade. há o fato)

[mas o fato não existiria se não houvesse a discussão desta via de mão dupla]

(haveria. eu sou o autor)

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