Era tão bom estar triste e correr ao seu colo.
Todas as vezes que me ocorria uma lágrima na garganta pensava no seu cheiro e no seu querer-me por perto. Se me via flébil em um canto, você catava-me sujo de tristeza e me punha a experimentar da tua atenção. Confesso que estive por muito tempo me entristecendo e amuando de propósito, só para ter um momento silencioso do que havia de melhor no mundo inteiro: seu colo e seu cafuné.
Nunca pensei que existisse algum outro lugar tão reconfortante e afável... tão perfeitamente infalível...
Sentir seus dedinhos passando pela cabeça, circulando as têmporas e enganchando e puxando de leve meus cachos crespos, secando minhas lágrimas com cuidado, fazia-me querer adormecer por mil anos ali... quietinho... sem mais nada.
Agora estou triste. De verdade. Sem querer...
e seu cafuné está tão distante de mim que cada esforço que faço pra me livrar da mágoa que me assola é um convite ao choro aparentemente interminável.
Quisera ter experimentado seu colo de outro jeito. Feliz. Pudera ter sido capturado pelos seus braços longos no meio de uma brincadeira ou de um livro, só para sentir a força do seu carinho me dizendo que ele não era apenas um remédio, mas também um mérito... uma doce sobremesa. Teria sido tão maravilhoso sentir seus dedinhos passando pela cabeça, circulando as têmporas e enganchando e puxando de leve meus cachos crespos, brincando com meu sorriso, mexendo na minha careta, fazendo-me querer adormecer por mil anos ali... quietinho... sem mais nada.
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