19 de jan. de 2010

parte 3

nenhum dos dois olhos dela via traço de roupa no corpo que acabara de despir.
nus, manifestavam-se em encontros físicos arquejantes, buscando, entre espasmos cardíacos e leves tremores, a satisfação plena do prazer.
músculos rígidos, entumescidos, dilatados...
o suor que escorria de ambos os corpos molhava o chão em que se punham os dois hirtos.
dela já se havia esvaído aquele sentimento de ambiguidade. o sexo que havia era, naquele momento, a necessidade; e o prazer, o único objetivo.
bocas;
pescoços;
boca;
peito;
abdomen;
perna;
virilha;
perna;
saliva;
movimentos hamônicos em toques anatômicos.
a força dela levava o sexo para o chão.
corpos derramados sobre o suor encolhiam-se buscando a unidade... e escolhiam-se tornando aquele momento uma cautelosa eternidade.
bocas;
costas;
pernas;
braços;
bocas;
braços;
gozos.
cinco segundos de latente síntese.
um momento.
um silêncio.
todo o resto voltara a latejar em sua cabeça...
a necessidade do sexo; a realidade do sexo; a fugacidade do sexo;
antes, o não-sexo.
um momento.
um agradecimento.
uma despedida.
saía dela o desejo verbal de um reencontro. nascia nela um desejo visceral de um desencontro.
saía ela com um marginal desejo de vômito,

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